VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 659-662

Criação de bovinos em sistema silvipastoril com eucalipto: um risco para intoxicação por Ramaria flavo-brunnescens

Alves, Daniel MachadoMarcolongo-Pereira, ClairtonTavares, Larissa AltMolarinho, Kayane RRaffi, Margarida BussSchild, Ana LuciaSallis, Eliza Simone V

O objetivo deste trabalho foi descrever e discutir os aspectos epidemiológicos de surtos de intoxicação espontânea por Ramaria flavo-brunnescens em bovinos criados em sistema silvippastoril na região sul do Rio Grande do Sul. Foram diagnosticados três surtos da enfermidade entre 2011 e 2013. Em dois surtos a morbidade foi de 35 por cento e 37,4 por cento e a mortalidade foi de 36,12 por cento e 16 por cento, respectivamente. A letalidade nos surtos foi de 45,71 por cento e 96,55 por cento. O diagnóstico foi confirmado pela epidemiologia e presença do cogumelo nas áreas onde os bovinos estavam, além dos sinais clínicos e lesões macroscópicas e histológicas características. Os dados climáticos de temperatura, umidade e precipitação pluviométrica foram analisados estatisticamente; não se observou diferenças de 2007 a 2013. Não foi possível confirmar se a presença de R. flavo-brunnescens nos bosques de eucaliptos está associada a outonos chuvosos e quentes após verões secos. É provável que outros fatores estejam associados à presença do cogumelo nos bosques e à sua toxicidade. A influência do solo e a finalidade da mata plantada podem também, determinar a presença ou não do cogumelo na área. É provável que a espécie de eucalipto seja também um fator determinante para a ocorrência do cogumelo, já que em muitas matas deste gênero o vegetal R. flavo-brunnecens não ocorre. O reconhecimento do cogumelo por trabalhadores e produtores rurais e a época em que o mesmo se desenvolve nos bosques de eucalipto é fundamental para minimizar as perdas econômicas causadas pela intoxicação.(AU)

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