VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 33-43

Relações alimentares de aves com capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) em parque urbano no Sudeste do Brasil

DAngelo, Giulia BagarolliNagai, Micael EijiSazima, Ivan

Relações alimentares de aves com mamíferos são variadas e abrangem desde o uso de mamíferos como poleiros de caça até o consumo de suas carcaças. Estudamos a história natural das associações entre aves e capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) em um parque urbano, enfocando três questões principais: (1) Quantas e quais são as espécies de aves associadas a capivaras? (2) Quais recursos, proporcionados pelas capivaras, as aves usam quando associadas a estes mamíferos? (3) Quais os comportamentos das aves e das capivaras durante as diferentes associações? Também, sumariamos as associações de aves com capivaras registradas até o presente, as quais incluem relações de comensalismo, mutualismo e semiparasitismo. Registramos 10 espécies de aves (principalmente não-Passeriformes) associadas às capivaras. As aves usaram as capivaras como: (a) poleiro de caça; (b) batedores que afugentam artrópodes e peixes; (c) atratores de moscas; (d) fonte de partículas orgânicas, parasitos externos, sangue, tecido doente, e carcaças. Aves e capivaras interagiram principalmente quando aquelas catavam carrapatos, ou se alimentavam de sangue e tecido doente. Quando as aves catavam carrapatos, as capivaras adotavam posturas que permitiam às aves alcançar partes do corpo que de outra maneira seriam inacessíveis. Por outro lado, quando as aves bicavam as feridas para tomar sangue ou retirar tecido doente, os mamíferos tentavam desencorajar as aves com movimentos de cabeça e corpo, ou afastando-se. Quando as aves usavam as capivaras como poleiros ou atratores, os mamíferos pareciam não se importar com a sua presença. Até o presente, estão registradas 21 espécies de aves associadas a capivaras. Portanto, os números que registramos na área urbana e restrita são notáveis e o nosso estudo reforça a importância das chamadas áreas verdes, como refúgios da fauna silvestre remanescente no nosso ambiente cada vez mais antropizado.(AU)

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