VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 181-189

Disponibilidade e consumo de presas por harpia no entorno de territórios de nidificação no rio Xingu, Amazônia Oriental Brasileira

Aguiar-Silva, F HJunqueira, T GSanaiotti, T MGuimarães, V YMathias, P V CMendonça, C V

RO interflúvio Tapajós-Xingu, um dos centros de endemismo da Amazônia, onde habita uma das mais poderosas aves de rapina, a harpia, é também alvo de intensa pressão antrópica com reduções históricas da cobertura florestal. Analisamos a disponibilidade de vertebrados e o consumo de presas por harpia em seis territórios de reprodução no Rio Xingu, entre 2013 e 2015. A disponibilidade de recursos alimentares foi baseada nos dados de amostragens por dois métodos: levantamentos terrestres pelo método RAPELD e resgate/afugentamento da fauna antes da supressão da vegetação para construção de infra-estrutura para o Complexo Hidrelétrico Belo Monte. As espécies de presas consumidas pela harpia foram identificadas a partir de vestígios coletados em seis ninhos. Dezoito espécies de mamíferos, aves e répteis compuseram a dieta no baixo e médio Rio Xingu, com maior proporção de preguiças, macacos e porcos-espinhos, incluindo duas espécies (Opisthocomus hoazin e Iguana iguana) associadas aos hábitats criados por rios. A proporção de indivíduos das espécies predadas no ninho com maior número de coletas foi diferente da disponibilidade (χ2 = 54,23; gl = 16; p < 0,001), no entanto, existe correlação positiva (rs = 0,7; p < 0,01) entre o consumo de presas e a abundância disponível, com a predação maior sobre espécies mais abundantes. A riqueza de presas indica que as florestas remanescentes na região foram fonte eficiente de recursos alimentares para a reprodução e manutenção da harpia. O monitoramento da dieta da harpia nos ninhos pode apresentar alterações relacionadas às mudanças no pulso sazonal de inundação do Xingu, provocadas pelo futuro funcionamento da usina hidrelétrica e à redução da floresta no entorno dos ninhos localizados no Reservatório Xingu e Intermediário. É importante considerar a proteção dos remanescentes florestais no entorno dos territórios de nidificação para garantir a disponibilidade de presas e a reprodução efetiva dos casais de harpia na região.(AU)

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